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[Panfleto] ByA e Barbaria – Nas eleições, só se vota no capitalismo

Elecciones 29N

Traduzido para o português por Luis Judíce, baixe pdf aqui

 

A nova convocatória de eleições gerais não é casual. O governo, animado pelas mobilizações e pelos acampamentos contra os despejos e os problemas de habitação, considerou que era um momento propício para as convocar. Mais um ano se convida para a consulta democrática de revalidação dos lugares para os flamantes deputados e senadores que, não temos quaisquer dúvidas, nos próximos 4 anos se encarregarão por todos os meios de exercer muito bem a sua única função: gerir, em benefício próprio e da classe capitalista, a miséria da classe operária.

O novo espectáculo está servido: por um lado uma direita arrogante e audaciosa com os seus discursos xenófobos e a favor da austeridade económica, por outro uma esquerda que se apresenta como defensora dos direitos sociais “conquistados”. A experiência de oito anos de governo de esquerda leva-nos a não fazer qualquer concessão nem compromisso com uma esquerda que se comprometeu sem hesitação com a estabilização dos mecanismos de exploração e dominação do capital. Nada se escolhe nos Parlamentos além dos porta-vozes do sistema que diariamente nos despejam, nos reprimem, nos deportam, enfim, que negam a nossa própria emancipação e o nosso futuro.

Se nos responderá que perante os hipotéticos temores de uma perigosíssima extrema-direita, o que se trata é de conseguir “um solo firme” a partir do qual possamos preservar os muito poucos e valiosos direitos políticos que ainda nos restam. Chamar à abstenção na festa da democracia deveria ser considerado um acto de traição às ideias de esquerda num momento histórico decisivo. Pois bem, apresentamo-nos nós os primeiros como traidores a essa pantomima que por muitas décadas tem conduzido a nossa classe à derrota e à desmobilização mais absoluta.

Após oito anos de governo de esquerda, do governo “mais progressista da história”, este governo, que se proclama anti-racista, é responsável, com as suas fronteiras, pela morte de milhares de migrantes no Mediterrâneo e daqueles que morreram em Ceuta. Vemos como o governo aumenta o orçamento militar e o exército se dedica a dar massagens democráticas aos migrantes numa Ceuta militarizada. O problema da habitação está pior do que nunca e a única coisa que nos vendem são as suas leis. Só podem defender o sacrossanto direito à propriedade privada. A isto junta-se uma inflação nas nuvens enquanto os salários não chegam para acabar o mês. O mesmo governo que hoje chora pela “traição” daqueles que votaram contra os decretos de habitação entre 2019 e 2023 conseguiu uma maioria absoluta clara da esquerda no Congresso dos Deputados. O que conseguimos com esses deputados? Dizemo-lo numa palavra: nada.

Não perdemos no Congresso nada mais nada menos do que um isqueiro com o qual acender fogo numa das bases de um sistema que nos condena à miséria e ao qual só podemos fazer frente através da acção social, o confronto colectivo através de órgãos de luta da classe operária e a generalização das mobilizações, protestos e greves que como classe devemos sustentar internacionalmente.

Perante o Parlamento, as nossas assembleias de classe. Perante os seus decretos, as nossas greves. Perante as suas ameaças, a nossa força. Contra o Estado e o capital! Pela revolução comunista mundial!

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